AMPRO - Por dentro do Marketing de Incentivo
O Marketing de Incentivo é uma atividade relativamente nova. Suas sementes foram lançadas por empresas canadenses e norte-americanas há pouco mais de um século. No Brasil, a atividade vem sendo desenvolvida há cerca de 30 anos. Para falar sobre este mercado que tem muito a contribuir para a competitividade do País no cenário internacional, a AMPRO conversou com Germano Rigotto, ex-governador do Rio Grande do Sul e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República.

AMPRO – Como está atualmente o Marketing de Incentivo no mundo?
Rigotto – A atividade de Marketing de Incentivo é amplamente utilizada por diversos países, mas mais fortemente nos Estados Unidos, Japão e Europa Ocidental, motivando todo um universo de trabalhadores de empresas públicas e privadas. Nos Estados Unidos e Europa, o Marketing de Incentivo movimenta cerca de US$ 230 bilhões por ano, segundo dados divulgados nos eventos The New York Incentive Rewards & Recognition [NY] e EIBTM [Barcelona].

AMPRO – O que podemos entender por Marketing de Incentivo?
Rigotto – O Marketing de Incentivo consiste em incentivar profissionais por meio de campanhas motivacionais, estimulando-os a adotar novas posturas, mudar comportamentos a alcançar objetivos, e reconhecendo-os ou recompensando-os com prêmios que podem ter um valor comercial ou simplesmente simbólico.

AMPRO – Como as empresas podem desfrutar do Marketing de Incentivo?
Rigotto – As campanhas de incentivo são adotadas por pessoas jurídicas de direito público e privado para melhoria da qualidade dos produtos e serviços, do processo produtivo, incremento de vendas, redução de custos operacionais e administrativos, dos acidentes de trabalho e do absenteísmo e implementação de novas idéias.

AMPRO – Por que o Marketing de Incentivo vem ganhando força no mundo?
Rigotto – Porque além do valor econômico, hoje são valorizadas as questões humanas, sociais, ecológicas, espirituais, de segurança, reconhecimento, auto-realização e bem-estar, dentre outras. O homem cada vez mais necessita e encontra espaço para expressar sua criatividade, interatividade, contribuição grupal, interação social e o seu nível de intervenção ambiental.

AMPRO – Como é o cenário brasileiro? Por que ?
Rigotto – No Brasil a atividade revela números bastante tímidos. Estima-se o Marketing de Incentivo movimente somente US$ 2 bilhões. Mas existe um motivo para essa deficiência: a falta de regulamentação para o setor.

AMPRO – O marketing de incentivo se insere no ordenamento jurídico atual?
Rigotto – O marketing de incentivo se insere no ordenamento jurídico atual, mas por ser uma atividade relativamente nova carece de regulamentação, para nortear a ação dos órgãos de fiscalização e do Judiciário, evitando-se interpretações errôneas que podem prejudicar aqueles que da atividade se valem para motivar trabalhadores.

AMPRO – O marketing de incentivo pode ser considerado uma alternativa para a humanização das relações trabalhistas?
Rigotto – O marketing de incentivo pode ser considerado como uma excelente alternativa para a humanização das relações trabalhistas e do papel do homem com o resultado de seu trabalho. Representa um caminho de flexibilidade para os conflitos gerados por regras muito rígidas e inumanas das relações capital x trabalho.

AMPRO – Então o Marketing de Incentivo pode mudar as relações de trabalho?
Rigotto – Sem dúvida. O Marketing de Incentivo tem a qualidade de transformar potenciais conflitos em oportunidades de superação e crescimento ao reconhecer o homem não como um ser inferior que precisa ser protegido, mas como uma parte responsável da geração de bons resultados.

AMPRO – Como o Marketing de Incentivo contribui com o aumento de produtividade de outros setores da economia?
Rigotto – O marketing de incentivo movimenta vários outros setores da economia, como agências de marketing de incentivo [que criam as campanhas de incentivo], operadoras de viagens, companhias aéreas e de transportes rodoviários, hotéis, desenvolvimento do turismo local da realização dos eventos motivacionais e das viagens de incentivo [restaurantes, cinemas, teatros, museus etc.], produtoras de vídeos, cenografia, iluminação, locação de equipamentos, gráficas etc., para a produção dos eventos, empresas de software para desenvolvimento de sites de acompanhamento e resultado das campanhas, fornecedores de brindes e de produtos concedidos como prêmios nas campanhas motivacionais.

AMPRO – Isto não criaria um ciclo virtuoso em benefício do cidadão?
Rigotto – Logicamente, a movimentação de outros setores da economia resulta no aumento da arrecadação de tributos, que retorna ao contribuinte com melhorias na saúde, educação, segurança, transporte e laser, formando um ciclo virtuoso em benefício não só do trabalhador como da sociedade como um todo.

AMPRO – Como o Marketing de Incentivo contribui com o bem estar do trabalhador e de sua família?
Rigotto – O trabalhador reconhecido e recompensado por sua performance numa campanha de incentivo compartilha esse momento com seus colegas e com a família e muitas vezes os prêmios conquistados são também por ela desfrutados, o que, com toda a certeza, proporciona ao trabalhador um bem estar em seu convívio pessoal, profissional e familiar.

AMPRO – O Brasil está na contramão do mercado mundial?
Rigotto – Por falta de regulamentação, em certo aspecto sim. Nossas empresas necessitam exercer suas atividades com segurança, baseadas em regras claras e objetivas, de modo que passem a ser competitivas no cenário internacional. O incentivo existe para motivar trabalhadores e, ao mesmo tempo, proporcionar a melhoria da qualidade dos produtos por eles manufaturados. O Brasil está perdendo em competitividade para outros países, sobretudo os mais desenvolvidos. Precisamos regulamentar a atividade.

AMPRO – O que está sendo feito para mudar esse cenário?
Rigotto – Tramita na Câmara dos Deputados o projeto de lei 6.746/2006. O projeto de lei já foi aprovado pela Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados, sendo este o primeiro passo para a aprovação de um marco regulatório. Trata-se incontestavelmente de uma atividade que pode contribuir com a produtividade nacional e competitividade mundial.

AMPRO – Existe alguma previsão de breve mudança?
Rigotto – Estamos trabalhando para que isso ocorra o mais cedo possível. Tudo isso porque o Marketing de Incentivo já é uma realidade. A motivação precisa voltar a ser a força motriz da aceleração do crescimento dos setores público e privado, fomentando a competitividade do Brasil no cenário internacional.



Veículo: Site da AMPRO - Associação de Marketing Promocional
Data: 10/11/2008
Estado: SP



   
     
Receba por e-mail o Panorama Político e Econômico,
por Germano Rigotto:
Nome: E-mail:
 
Acompanhe Germano Rigotto nas redes sociais:

Biografia
Notícias
Agenda
Artigos
WebTV
Entrevistas
Realizações
Galeria
Palestras
Fale com Rigotto
     
Av. Nilo Peçanha, 2825 - Sala 1602 - Três Figueiras - CEP 91330-001 - Porto Alegre - RS
Fone: (51) 3378.7777 - Fax: (51) 3378.7780 - contato@germanorigotto.com.br