Enquanto as turbulências da crise financeira internacional ainda não haviam sido superadas, a demanda por produtos e serviços registrou flagrante recessão. Em razão disso, o problema da sobrecarga de estradas, portos, aeroportos e ferrovias acabou ficando em segundo plano na pauta nacional. Tais circunstâncias mascararam a insuficiência da nossa infraestrutura. Agora, porém, com a recuperação dos setores produtivos, os antigos entraves voltaram a ficar evidentes.
As notícias recentes mostram que os índices negativos fazem parte do passado, e agora o reaquecimento da economia nacional já está em pleno vapor. É o que indicam, por exemplo, as projeções de supersafras de grãos – vide soja e milho no Rio Grande do Sul. É o que atestam também alguns dos principais indicadores do setor de transportes – como o consumo de diesel, a venda de caminhões e o fluxo da estrada –, que estão quase no mesmo patamar do momento anterior à crise.
Ocorre que a expansão da produção nacional não tem sido ancorada por uma infraestrutura multimodal condizente. Isso é histórico no Brasil. Especialistas calculam que as rodovias atualmente concentram 62% de tudo o que circula pelo Brasil. Apenas o aumento de 5,5 milhões de toneladas de grãos esperado para a safra 2009/10, por exemplo, irá exigir mais 160 mil caminhões. Na prática, isso representa um robusto aumento no fluxo das estradas, cujas condições já são preocupantes: 69% delas estão enquadradas como regulares, ruins e péssimas.
Os portos brasileiros tampouco estão em sintonia com a elevação da demanda interna, mesmo em face das projeções de crescimento de 7% neste ano. Um estudo do Ipea a propósito, aponta a necessidade de investimento de R$ 43 bi, nos próximos 10 anos, na readequação da estrutura portuária nacional. As fragilidades da infraestrutura brasileira se estendem também ao sistema aéreo. Estima-se que, com aumento de 1,5% da demanda em relação ao PIB, os aeroportos ficarão à beira do colapso. Já no caso das ferrovias, o problema reside na insuficiente extensão de sua malha – fato que acaba por sobrecarregar os modais restantes.
Essa série de entraves já tinha demonstrado seu poder destrutivo antes das turbulências financeiras. Com o estabelecimento do mundo pós-crise, contudo, esses danos vão ser intensificados ainda mais, minando nossas projeções rumo ao protagonismo global. Eis, portanto, a necessidade de repensar a solução dessa torrente de falhas na infraestrutura brasileira. É preciso adequá-la às exigências do presente e do futuro do Brasil, não mais das décadas passadas.
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por Germano Rigotto: