Na área macroeconômica, os avanços que se fixaram no solo firme da história foram construídos em etapas. Passo a passo, as decisões corretas foram tomadas tendo em vista a realidade tal qual ela se apresentava. Essa postura consolidou resultados responsáveis e perenes. Foi ela, por exemplo, que mudou o conceito da economia brasileira diante do mundo e da própria nação.
Hoje, estamos diante de outro desafio crucial: a taxa de juros. No início de 2003, a Selic atingiu 26,5% e agora – sete anos depois – estamos em 8,75%. Um número alto, por óbvio, mas em flagrante decréscimo. As oscilações no cenário, durante esse período, exigiram algumas elevações. Mas, no todo, estamos caminhando para avançar também na política monetária.
Porém, constato que o passo do andor está lento demais, em desconformidade com o potencial de desenvolvimento que o Brasil indica. E isso tem ocorrido tanto nos momentos de cenário positivo – quando a queda é vagarosa demais – quanto nos de turbulência – quando os juros sobem muito e depressa.
Agora, o Banco Central sinaliza com a possibilidade de elevação da taxa Selic em virtude do reaquecimento da demanda doméstica, fruto da superação da crise financeira internacional. O aumento da taxa básica de juros aconteceria porque esse processo daria vazão a uma onda de aumento de preços. Entretanto, é bom que se diga, a pressão inflacionária só encontra respaldo quando o crescimento é insustentável e desequilibrado – fato que, felizmente, não ocorre no Brasil. Além disso, todas as análises são de que a inflação está sob controle e fechará o ano dentro da meta de 4,5%.
A política de juros altos gera uma série de efeitos em cascata. Lamentáveis efeitos. Ao mesmo tempo em que controla com rédeas curtas os riscos de inflação, implica privações e limitações à população e aos setores produtivos. Complica o acesso ao crédito e inibe tanto o consumo quanto o investimento. Ou seja: enquanto o Brasil recupera-se dos efeitos da maior turbulência financeira internacional desde 1929, uma outra força atuaria exatamente na contramão desse impulso. E é aí que tem residido o conservadorismo da nossa política econômica, posicionamento que tem atravancado um maior desenvolvimento do país.
Ora, existem diversas outras medidas a serem tomadas para evitar um possível recrudescimento da inflação. Dentre elas, retirar gradativamente os incentivos concedidos na vigência da crise e apertar os depósitos compulsórios. Elevar os juros a esta altura, portanto, seria apenas uma prova de precipitação e de dissociação com a realidade. Jamais de prudência ou maturidade. Não podemos retroceder no processo de tornar ao menos mais civilizada a taxa de juros brasileira.
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por Germano Rigotto: